Brasil - 05 de setembro de 2010 - 19:10
Xamanismo UM ENCONTRO Espiritual PDF Imprimir E-mail
A Porta do Sol adota a Linha Espiritual Xamânica, por entender que esta forma de organização "arcaica" satisfaz às necessidades de ser diante da vida, de maneira igualitária e inclusiva.

Aqueles que são atraídos a viver dentro do círculo mágico do pensamento xamânico são pessoas que buscam encontrar suas origens, suas raízes espirituais, conectados por necessidades interiores e particulares, e que se ocupam da preservação das árvores, da água, enfim, da Mãe Natureza.

Nesta Linha:
- não se fazem campanhas de convencimento;
- nada se promete;
- não se convida (a pessoa pede para participar);
- não há dogmas.

Origem: no mundo nativo, que desde os primórdios se caracterizou pela ação direta e evidenciada na matéria, ou seja, pelo resultado.

O pensamento arcaico tribal antecede todos os demais conceitos sobre religião como a conhecemos no Ocidente e no Oriente, sendo que a força vinda da floresta é o mais antigo, no entanto, o menos conhecido. Somos educados numa cultura com valores europeus e patriarcais, por isso, julgamos que o xamanismo se trata de uma cultura oral anterior e selvagem, sem valor. Os pensadores dos séculos passados julgaram que os nativos nada sabiam a respeito do mundo espiritual e os classificaram com um pensamento mágico e imediatista, supondo que eles não "pensavam" sobre a vida depois da vida.

Fotos Carla Brasil_54

Os nativos da Floresta Amazônica, sabem conviver com as diferenças e por isto sobrevivem até hoje, (foto de 2010) quando receberam gentilmente em suas terras 146 pessoas da Porta do Sol. Acreditam que viemos de um mundo perfeito e que esta perfeição é passível de ser resgatada hoje se nos harmonizarmos com a natureza novamente, não destruindo a selva para fazer cidades; ou seja, tendo a consciência ecológica há milhares de anos, os nativos da Floresta Amazônica jamais a destruíram, nem aos animais que nela habitam, ao contrário, foi o mundo "civilizado" que tentou destruí-los, mais foi em vão, pois resistem em grande número até os dias atuais, se adaptando à modernidade sem perder suas tradições.

Foram os nativos que primeiro cunharam a ideia de que todas as coisas vivas têm um tipo de inteligência e se comunicam em rede de forma telepática de ação conjunta, que interfere no Todo.

 

APRENDENDO COM ELES

O surgimento da Ayahuasca como Chá no mundo urbano tem ajudado a resgatar uma parte importante da história do pensamento espiritual do universo da floresta brasileira e de seus habitantes (o povo da floresta): um mundo inteligente, produtivo, resistente, que o mundo "civilizado" desconhecia existir antes de 1500. 


Somos como o encontro das águas do Rio Negro com o Solimões, que confluem sem se misturar. Somos também como as sementes que caíram no fundo das águas férteis, que desprendem da árvore nas cheias e geram frutos desta árvore frondosa: O Mestre Irineu, como árvore (mão que sombreia), deu muitos ramos.

Foi ele que domesticou, disciplinou a FORÇA/ PODER de duas plantas que eram de uso comum do povo da Floresta Amazônica. É chamado de Mestre por ser o primeiro, por respeito e gratidão de seus admiradores.

O Mestre fez mais: ao verificar o imenso valor desta Força, apresentou-a ao mundo, socializando o SABER. Foi a primeira vez que algo assim aconteceu em todos os tempos, desenvolvendo-se com espantosa rapidez, levando os valores da Floresta Amazônica ao mundo todo. São Trabalhos e mais Trabalhos abertos no mundo, espontaneamente, todos cantados em português, voltados à cultura da PAZ.

O MESTRE é a ponte entre o misterioso e desconhecido mundo da floresta e o mundo urbano, integrando os valores dos pajés, hoje sendo um modelo para todos os Dirigentes Ayahuasqueiros.

QUEM É O PAJÉ

- é o Mestre curador, é o Mestre ensinador, o Guardião do Conhecimento.

-É aquele indivíduo que caminhou até os portais de seu inferno pessoal e teve a coragem de entrar.

- É aquele que enfrentou e venceu os demônios auto-concebidos do medo, da insanidade, da solidão, da auto-importância e dos vícios ao passar pela gama de Mortes do Xamã.

"A qualidade que melhor define um Xamã é o seu sentido de compaixão pelos caminhos que os outros ainda precisam trilhar, já que ele também atravessou o mundo subterrâneo das sombras e conhece diretamente a dor e o sofrimento envolvidos nesse processo." (do livro: "As Cartas do Caminho Sagrado", de Jamie Sams - Editora Rocco) O termo xamã foi adotado, pela antropologia, para se referir às pessoas de uma grande variedade de culturas não ocidentais, que antes eram conhecidas como curandeiros, magos, mágicos, videntes, sacerdotes, pajés, homens da medicina, terapeutas, conselheiros, contadores de estórias, líderes espirituais, etc.

 Nas reservas indígenas são faladas 180 línguas além do português, com uma diversidade enorme de costumes, de crenças, de visão cosmogênica. No entanto, todos têm em comum o princípio de que existem o mundo de LÁ e o de CÁ - o mundo interno e o mundo externo, o mundo de dentro e o mundo de fora.

Das tribos que utilizavam a Ayahuasca hoje existem somente 22 grupos de nativos que não foram dizimados, por estarem em lugares de difícil acesso na Floresta Amazônica. Esta diversidade e o contato depois de 1500 com povos de raça negra, amarela e branca, foi inclusiva e harmônica no que se refere aos conhecimentos ocultos nativos, pela própria característica deste Chá que iguala socializando a todos no momento de comunhão espiritual durante os rituais.

O Mestre Irineu foi o marco divisor. Ao inovar, tornou possível a integração entre costumes espirituais dos nativos, dos africanos e dos europeus que vivem no Brasil, sem que a raiz nativa, nem a africana e nem a européia se perdessem. Integrou a língua e com ela, o pensamento, primeiro fato importante no Brasil que começa a mostrar a sua vocação de integração montando um diálogo entre diferentes vozes, tanto do mundo de DENTRO como com o mundo de FORA, literalmente falando.

Passado o momento de expansão da Ayahuasca em território nacional e sul-americano, a inclusão com povos que habitam além dos oceanos, continua universalizando o SABER. Num momento de profecias ameaçadoras de FIM da HUMANIDADE, este SACRAMENTO vem anunciando um novo COMEÇO para TODOS, sem exclusão. Por esta razão é reconhecido como libertário.


A raiz da palavra Xamã deriva da língua dos povos Tugus, da Sibéria. Foi adotada amplamente pelos antropólogos para se referirem a pessoas de uma grande variedade de culturas arcaicas, que antes eram conhecidas como pajés, curandeiros, magos, videntes, embora nem todo vidente, curandeiro, mago ou pajé, seja um Xamã. É o mais difundido e antigo sistema metodológico de tratamento da mente e do corpo que a humanidade conhece. O conhecimento acumulado foi adquirido por centenas de gerações humanas, em situação de vida e de morte. Há duas abordagens básicas para a cura xamânica: restaurar os poderes benéficos e retirar os malefícios.

A palavra "Arcaico" vem do grego, de "Época Antiga". Aponta a anterioridade e a antiguidade de um princípio inaugural de experiência humana.

No pensamento xamânico não há qualquer distinção entre ajudar os outros e ajudar a si próprio, resultando numa grande aventura mental e emocional, onde todos os presentes ficam envolvidos em transcender a noção normal e comum que têm acerca da realidade; variando de acordo com o indivíduo, assim como no mesmo indivíduo, em ocasiões diferentes. No entanto, este conhecimento só pode ser adquirido através da experiência individual, sendo necessário que se aprendam os métodos a fim de utilizá-los.

A história do Xamanismo no Brasil vem enfaticamente evidenciar que homens comuns e urbanos influenciam pessoas (tornando-se formadores de opinião, líderes) depois de experimentar o êxtase, provocando hoje uma verdadeira transformação cultural.

O Xamã é um sacerdote do fogo, por ser o fogo a personificação física da manifestação divina no mundo visível. Ele domina determinadas técnicas esotéricas e exotéricas e conduz outras pessoas a universos não visíveis.

No uso da Ayahuasca treina-se entrar e sair dos estados alterados de consciência, trazendo ensinamentos e curas para si e para os outros, com técnicas que lhe são exclusivas, tendo à disposição espíritos, seres ou entidades. Partindo do princípio de que todas as doenças têm início no plano espiritual e vão se condensando até a matéria física, considera-se CURAR o ato que facilita toda e qualquer mudança positiva que a pessoa faça ou venha a fazer neste campo sutil da psiquê, ou seja, do pensamento e da consciência ao longo de sua vida.

No Xamanismo se desenvolve a técnica do contato espiritual, sendo o Xamã aquele que desenvolve a diplomacia, sendo um mediador entre os mundos por excelência. É a memória viva no seu meio, é o mestre ensinador, é o curador, é o apaziguador, um guerreiro espiritual.

 

Xamanismo, Pajelança, a religião da Floresta Amazônica, são fundamentados na experiência do êxtase, no transe, na fé em um Ser Criador, na certeza de que não se está sozinho neste mundo, na disciplina, na persistência natural dos povos que vivem em contato direto com a natureza e sabem que ela tem ciclos precisos e que tudo que começa tem um dia que acabar.

Perpetuou-se por nunca ter abandonado a idéia original que o gerou, permanecendo FIEL. É a prática dominante onde quer que a experiência do êxtase seja considerada a experiência religiosa por excelência.

No Brasil, ao sair da Floresta, o xamanismo da PLANTA de PODER, ou seja, a Ayahuasca, não perdeu a sua característica xamânica, justamente por não abolir o uso de uma planta ou o VINHO da ALMA - pelas mãos do MESTRE IRINEU no início do século passado - do contexto nativo. Uma experiência xamânica transformou-se numa religião perfeitamente aceita pela sociedade, na medida em que sua história vai sendo contada e a memória ancestral de seu uso vai sendo redescoberta.

Todas as grandes civilizações tiveram contato com substâncias transformadoras (soma da Índia, vinho de Dioniso, o vinho cristão de Roma).

Agora, no alvorecer do século XXI, a PLANTA DE PODER, a Ayahuasca, revela-se em território brasileiro. À medida em que se estudam os fenômenos paranormais, vai-se firmando a crença de que eles são oriundos de uma segunda natureza do homem. São, em parte, os resultados da função psi.

Por sua vez, a função psi deve originar-se de algo que está intimamente associado à vida, uma vez que os animais parecem ser também dotados de faculdades paranormais.

Estando associada à vida, a função psi deve tê-la acompanhado desde o início. Assim pensava Rhine ao observar a profunda inconsciência de psi: essa inconsciência que nos indica acerca de psi.

O mais importante, fora as dificuldades que opõe ao trabalho do investigador, é talvez o seguinte: para ser tão profundamente inconsciente como são os fenômenos, o processo deve ser também extremamente primitivo; ou talvez, fundamentalmente próximo aos processos básicos da vida, um processo que aparece nos começos do esquema da evolução.

Cabe perguntar-se, então, se não seria anterior à origem, não somente da linguagem e da razão, se não inclusive das próprias funções sensoriais.

Não estaria relacionado com as forças básicas que organizam a vida, com essas energias que dirigem a estruturação da célula e o padrão da forma e o crescimento dos organismos complexos em todo o domínio da natureza vivente? Nós acrescentaríamos o seguinte: não seria também a função psi a origem dos primitivos cultos mágico-religiosos, das tradições iniciáticas, dos mitos e das religiões mais antigas?

Mircea Eliade admite que a existência de um certo tipo de xamanismo na época paleolítica parece assegurada. Ele considera que o êxtase, os sonhos acordados, o transe, enfim, a perda de consciência que se interpretava como uma viagem da alma ao Além, era um fenômeno constitutivo da condição humana.

Sabemos que os estados alterados de consciência facilitam a produção dos fenômenos paranormais. Há uma correlação entre tais estados e a intensificação das funções paranormais. É fato aceito que a maioria dos fenômenos paranormais ocorre durante certas fases do sono.

Há uma forte probabilidade de que os povos paleolíticos já houvessem presenciado fenômenos paranormais e que, entre os paleantropídeos, tenham surgido espécimes superdotados de função psi.

Indícios mais marcantes deste fato são os desenhos encontrados no interior das grutas paleolíticas. Tais figuras representam cenas de caçadas e de cerimônias mágicas relacionadas com as mesmas. Outros sinais típicos são os cuidados com os mortos, a forma de sepultá-los e de os colorir antes da inumação. Há, finalmente, o culto aos crânios e às pedras onde, parece, os paleantropídeos acreditavam que pudesse alojar-se a alma dos que morriam. O culto às pedras é a mais intrigante das práticas paleolíticas.

Os primitivos cavernícolas usavam representar a efígie humana por meio de seixos pintados com desenhos, configurando-a esquematicamente. Em forma mais específica e sofisticada, faziam também estatuetas, esculpindo-as no barro, na madeira ou em osso. Mas o uso das pedras era mais corrente.

Colocavam essas representações antropomórficas nas proximidades do fogo que acendiam para aquecer-se.

Este costume ficou evidenciado pelo normal chamamento observado em tais objetos, mostrando que eles participavam do calor das lareiras.

Qual a razão desta singular prática, que revelava a intenção de proporcionar àquelas figurinhas de pedra o conforto do aquecimento de que usufruía a família do homem das cavernas?

Parece plausível admitir que aqueles nossos longínquos antepassados deviam crer na existência da alma e procuravam fixá-la naquelas representações rudimentares, fazendo-as beneficiar-se do calor reconfortante. Através de estudos comparativos com outras culturas contemporâneas, mas situadas ao nível paleolítico, os antropólogos tornaram-se quase unânimes em aceitar que o paleantropídeo acreditava na sobrevivência da alma e na possibilidade de fixá-la em objetos materiais tais como as pedras.

Mais recentemente encontramos outros fatos que poderão dar maior consistência a esta hipótese. Trata-se dos fenômenos de poltergeist. Na esmagadora maioria desses fenômenos observam-se as quedas de pedras. É raro o poltergeist em que não ocorra o apport de pedras. É o caso de indagar se não seriam fenômenos semelhantes que teriam provocado, entre os primitivos homens das cavernas, a crença de que algo estaria a animar as pedras atiradas ou transportadas pelos poltergeists. Não seria esta a forma primitiva de um desencarnado chamar a atenção de seus parentes ou companheiros?

Naqueles longínquos tempos, na aurora da Humanidade, certamente tais fenômenos poderiam ter ocorrido com a presença de um epicentro paleolítico. É difícil separar as tradições religiosas da Humanidade das funções paranormais existentes nos seres vivos, particularmente nos homens.

O êxtase, os sonhos, os transes, a telepatia, a precognição, a clarividência e a psicocinesia deviam ter representado um papel preponderante entre os homens primitivos. Talvez os houvessem ajudado a sobreviver, facilitando-lhes achar a caça ou pressentir os perigos iminentes.

Milhares e milhares de anos se passaram.

As culturas foram se sucedendo, as civilizações foram surgindo, mas o homem conservou os seus hábitos religiosos e os seus cultos.

Criaram-se práticas iniciáticas secretas, onde um grupo discreto de adeptos desenvolvia as suas faculdades paranormais e aprendia os mistérios ocultados ciosamente aos olhos e ouvidos dos profanos. Foi assim que começaram as grandes religiões. Todas elas tiveram duas faces, uma exotérica, consistindo em práticas rituais exteriores, e outra esotérica, compreendendo o desenvolvimento de determinadas funções paranormais.

Em todos os códigos da Antiguidade, porém, proibia-se a prática da magia negra, revivescência dos cultos primitivos, das práticas populares arcaicas, nascidas do fenômeno paranormal puro. Em todas as práticas xamânicas, esotéricas ou exotéricas, se respeita e se ama a natureza, o planeta TERRA como um ser vivo e todo INICIADO a tem como MÃE.


Um nativo disse: - Estamos no mundo para preservá-lo, e para amansar o coração dos demais povos do mundo.
 
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